Da Redação
A Bronca Popular

A chegada de Paula Calil à presidência da Câmara de Vereadores de Cuiabá foi celebrada como um marco histórico. Pela primeira vez, uma mesa diretora 100% feminina comandaria a chamada "Casa dos Horrores".
O discurso era de mudança, de gestão eficiente e de fim dos velhos vícios. Mas quatro meses depois, o cidadão cuiabano está descobrindo que a nova roupagem escondeu, na verdade, os mesmos velhos hábitos.
Entre promessas e realidade, um elemento se destaca: o aumento dos gastos com cargos comissionados, travestido de "reforma administrativa".
Na sessão da última terça-feira (1º), a Câmara aprovou, em regime de urgência, uma "reestruturação" que aumentou os recursos para contratação de servidores nos gabinetes e criou novas secretarias. O impacto imediato?
Mais R$ 153 mil por mês de gastos extras, totalizando um acréscimo de R$ 1,62 milhão por ano. Uma bela quantia para quem dizia querer moralizar a gestão da casa.
A reforma também fragmentou a Secretaria de Tecnologia, gerando a Secretaria de Informação e Transparência e, claro, novos cargos para preenchê-la.
Agora, os cofres públicos arcarão com mais diretores, coordenadores e assessores técnicos, além do aumento do teto de gastos para contratação de servidores por gabinete, que subiu de R$ 52,250 mil para R$ 57 mil.
E não para por aí. Enquanto os cargos comissionados se multiplicam, os servidores efetivos sofrem com a redução dos valores pagos por funções comissionadas.
Em outras palavras: o funcionalismo concursado, que deveria ser a espinha dorsal da administração pública, perde espaço para acomodações políticas.
Coincidência ou não, a "reforma" foi aprovada por 24 dos 27 vereadores. Um apoio maciço que levanta suspeitas: seria esse o preço do apoio à gestão feminina? Teriam as vereadoras negociado a criação de cargos em troca de votos para a tal "renovação"?
No fim das contas, a realidade se impõe: trocou-se o discurso, mas não a prática.
A Câmara continua sendo um espaço de acomodações e interesses, agora apenas embalados em um novo rótulo. Para o cidadão, restam as contas a pagar e a esperança de que, um dia, a reforma verdadeira venha de fato - e não apenas no discurso.