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Terça-feira, 21 de Novembro de 2017, 23h:20 - A | A

O pau que virou pátria!

Como não havia nada de útil para fazer e se houvesse a preguiça se atreveria a impedir, busquei inspiração no livro Sobre Nada, de Manoel de Barros, para cumprir a pauta e atender o freguês que implorava uma crônica nossa para tapar um buraco na seção de opinião de seu site.

A escolha do tema foi relativamente fácil. Tive tantas ideias quantas foram descartadas. Em princípio, me veio à cabeça o peido do galo, o beijo do cavalo, o coice da tartaruga, entre outras genialidades inúteis.

Mal comecei a desenhar o texto e meu Notebook deu pau. Sai a sacada do prédio e contemplei dois marmanjos quebrando o pau. Logo vi passar um carro conduzido por um cara de pau tocando uma música à todo volume, que dizia você diz que me odeia mais vive pagando pau. Liguei a TV e ouvi Roberto França – o gordo – dizer que Taques não foge do pau e será candidato a reeleição em 2018.

Então, ele, o pau é o tema!

Sem muita reflexão, conclui, sem levantar do sofá, que em meu país, que tem o nome de pau, expressões como “meu pau” e “nem a pau, Juvenal”, são consideradas chulas e seu emprego se restringe a informalidade dos botequins. Quem desafia as regras, não da língua culta, até porque ignoradas pela maioria de sua população, mas do convencionalismo social, recebe imediata reprimenda dos puritanos que habitam o país, cujo nome homenageia o pau.

O pau é patrimônio nacional. É símbolo de riqueza. É fonte de renda e de postos de trabalho. O pau movimenta madeireiras e move caminhões. O pau está na cerca que protege propriedade e nas casas que abrigam famílias, que se reproduzem graças ao pau e dele – o pau - dependem para sua sobrevivência. O pau tem a proteção de ONGs, de organismos internacionais e do governo. O pau virou madeira de lei.

Quem não respeita o pau em pé e teima em lança-lo ao solo agride o meio ambiente e, via de regra, cai no pau da justiça. Pau também é sinônimo de punição. É no pau que o empregado leva o patrão que ignora seus direitos trabalhistas. É no pau que se amarra o cavalo. É do pau que se faz a canoa. É também do pau que se faz o trem da última viagem.

Percebi que o pau é mais útil que aquela esponja de aço que diz ter mil e uma utilidades. O pau é nosso, Juvenal. Viva o pau que virou pátria! Viva o Brasil, o nosso pau amado!

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